OpinAtivo

Segunda-feira, 16 Junho dUTC 2008

A falência da língua portuguesa nos profissionais de TI

Arquivado em: Análise — Sérgio de Sá @ 09:57

Por Luiz Henrique Quemel

 

 

Como fasso para ser um profissional de sucesso? Poço participar do processo de estágio? As duas orações não fazem parte de auguma obra de ficção, mas de tópicos postados em foruns de informática por adolescentes aspirantes às carreiras de tecnologia da informação. A maioria tem aver com orientação vocassional, mas grande parte está relacionada com informação proficional.

Os especialistas na Última Flor do Lácio são unânimes: é preciso aperfeiçoar as habilidades de comunicação ainda no ensino médio. Esperar para descobrir isso num estágio ou prova pode depor contra a imagem do estudante, por mais competente que ele seja nas habilidades técnico-instrumentais.

Foi o que aconteceu com Eliezer (nome fictício), estagiário de tecnologia da informação (TI) acionado para resolver um problema no computador do departamento de comunicação de certa empresa. A questão era simples: recuperar o arquivo “situacao_2007.doc” que havia sido apagado. Quando renomeou o novo arquivo, ninguém mais conseguiu achar o documento no servidor. O aluno trocou a letra “s” por um “c”. Fora a vergonha, a situação do aprendiz não se alterou. Apesar do deslize, sua competência técnica como estagiário de informática não foi questionada. O estudante de computação, que pediu para não ser identificado, alegou pressa na digitação e que nem tinha lido direito a ficha de atendimento. Pressa é a desculpa mais comum nesse tipo de erro. Pela posição das letras no teclado, a justificativa não consegue convencer.  

Segundo a editora de opinião do jornal Correio Braziliense, Dad Squarisi, são duas questões distintas. Uma é a comunicação em ambientes virtuais, onde escrever “blz” e “naum” não compromete a imagem do profissional. “A nova forma de comunicação é permitida na internet, mas não pode extrapolar para o mundo real”, diz a professora.

A outra questão está relacionada a ortografia. Escrever “vocassional” ao invés de vocacional não é problema de pressa ao digitar, mas de desconhecimento da grafia. A professora aconselha muita leitura para superar essa deficiência. “Quando se tem o hábito de leitura, fica muito mais fácil saber a forma correta das palavras”, afirma a jornalista.

Doutor em lingüística, Cristovão Tezza afirma que a grafia incorreta é um mal menor diante dos outros problemas relacionados à língua portuguesa. “Escrever casa com ‘z’ pode ser resolvido com uma consulta ao dicionário ou por alteração da norma”, enfatiza o professor. A deficiência, segundo o autor, está mais relacionada à expressão subjetiva das palavras, isto é, à concatenação e à exposição lógica das idéias. “Penso, logo escrevo” seria a solução do problema lingüístico se Renê Descartes, o filósofo francês, pudesse opinar.

A capacidade de pensar antes do ato de escrever pode, inclusive, evitar que o corretor ortográfico do processador de texto imponha um erro pior do que aquele que se propõe a combater.

Seja qual for a postura adotada, os futuros profissionais não podem descuidar dos processos comunicacionais, até porque em muitas situações você não terá uma segunda chance de causar uma boa primeira impressão.

         Por falar em impressão, a que deve ter ficado é a má, se o leitor permanecer apenas no primeiro parágrafo do texto. Algumas palavras foram grafadas de forma incorreta, justamente para chamar a atenção e alertar para o constrangimento da situação. Se você não percebeu o problema, está na hora de ter como companhia o Aurélio.

Segunda-feira, 2 Junho dUTC 2008

Boa noite, boa sorte, mas já vi esse filme

Arquivado em: Crítica — Sérgio de Sá @ 10:32

Por Luiz Henrique Quemel

 

“[...] Se apenas um único jovem do Texas ou outro estado qualquer se sentir inspirado a cursar jornalismo e seguir os passos deixados por Edward Roscoe Murrow, o filme já terá valido a pena.” Com esse diálogo. o diretor do filme Boa noite e boa sorte, George Clooney, encerra a seqüência de comentários junto com roteirista Grant Heslov. Em forma de documentário preto e branco, o filme mostra o embate entre o jornalista Ed Murrow (interpretado pelo ator David Strathairn) e o senador Joseph McCarthy (interpretado por ele mesmo).

Nas décadas de 1940 e 50, o senador do estado do Wisconsin empreendeu uma caça aos comunistas. Boa noite, boa sorte, mas já vi esse filme poderia ser a versão brasileira do tema por retratar os mesmos fatos ocorridos após o golpe de 1964 no Brasil. Boa noite e boa sorte é uma obra que pode ser vista tanto em 1960 ou em 2008 que não perde a atualidade. Um senador da República que mesmo cometendo crimes, sejam eles de quaisquer naturezas, recebe uma advertência do Senado para deixar os holofotes. Qualquer semelhança da obra baseada em fatos reais não terá sido mera coincidência, caso fosse o set de filmagens determinado Congresso localizado abaixo da linha do Equador.

O filme mostra o cotidiano da CBS. A televisão ainda engatinhava como mídia de comunicação. Não há clichês e nem diálogos enfadonhos, mas ver o making of da edição em DVD torna a segunda sessão do filme muito mais interessante e divertida. Ambientado nos anos 50, o filme levanta muitas questões, não só políticas, e representa, sob a forma de diálogos,  aulas de jornalismo. Mostra ser possível praticar o jornalismo político, sem ser partidário.

Na pele do jornalista Ed Murrow, David Strathairn mostra que o engajamento não pode ser ingênuo, como bem mostra o comercial dos cigarros Kent: nem sempre o melhor filtro é o que leva o melhor fumo. Murrow nunca fumou Kent, colocava os cigarros Pall Mall no pacote do concorrente. Às vezes é preciso fazer concessões em forma de propagandas, publicidade (vale até entrevistar Ricos & Famosos, ao estilo Ricardo Patrese) e sapos a engolir para que a notícia apareça. O filme expõe de forma clara que a tese da neutralidade, como querem alguns teóricos, não passa de uma grande falácia. A CBS mostra claramente qual é o seu lado.

Ed. Murrow não precisou ser demitido de famosa rede de televisão para começar a praticar “jornalismo independente” e nem cunhou o termo pIG (Partido da Imprensa Golpista) para mostrar a seriedade do seu trabalho. Sempre foi respeitado e isso o manteve acima dos ataques (abaixo da linha da cintura) pessoais do senador McCarthy.

A obra mostra que fazer jornalismo sério e independente também depende do que fizemos antes de nascer. Para o macarthismo, jornalistas, independentes de seus credos religiosos, que foram pegos nas últimas encarnações lendo O capital, de Karl Marx, podem ser acusados de comunistas e sofrerem os mesmos processos arbitrários a que foram submetidos Murrow e sua equipe.

O filme encerra-se com o discurso de Edward R. Murrow questionando para que serve a tevê, a fim de não se tornar apenas uma caixa de fios e controles. Ao buscar em fatos reais há mais de 50 anos e ao se refletir o que se tornou a mídia em tempos de dossiês, senadores, segredos vazados, relações incestuosas com anunciantes e patrocinadores, não seria difícil realizar uma versão adaptada para a realidade brasileira, mas com sugestivo nome: Boa noite, boa sorte, mas já vi esse filme.

 

 

Histórias de Ana e Mia

Arquivado em: Artigo — Sérgio de Sá @ 09:16

Por Maita Torres Rocha

 

Anorexia e bulimia, mais conhecidas por Ana e Mia, doenças que estão sendo divulgadas cada dia mais pela mídia por meio de novelas, jornais, revistas. Antes de falar tanto sobre o assunto elas já estavam na vida de muitas pessoas, especialmente em meninas, moças e mulheres que tentam se espelhar em modelos e perfis mostrados na televisão e em revistas de beleza.

Essas doenças são sérias e devem ser tratadas com urgência. Muitas pessoas ainda tratam aqueles que têm esses distúrbios de “frescos”, humilham e ferem o sentimento. Qualquer pessoa que vier a ter Ana ou Mia deve procurar um especialista, contar com a ajuda da família e amigos, ao invés de imaginar que estão todos contra.

Na maioria dos casos de anorexia ou bulimia, a origem é psíquica, neurológica ou até psiquiátrica. Se cada pessoa que sofre desse problema tivesse a chance de escolher, escolheria a cura.

A mídia, infelizmente, ajuda muito na propagação dessas doenças. Entrevistas e reportagens contra ambas são poucas, já que inúmeras propagandas, filmes e novelas mostram pessoas magras, lindas e desejadas, quem está normal ou acima do peso é a rejeitada e isso está sendo refletido na sociedade.

As pessoas não entram nessa “onda” por que querem, mas por algum distúrbio, emocional, psicológico, neurológico, psiquiátrico, alimentar ou até social. Quando saem de perigo sempre fica algum vestígio emocional.

O distúrbio alimentar pode ser causado por diversos motivos, o mais comum é a ansiedade, o nervosismo. A bulimia ocorre quando a pessoa percebe que exagerou na alimentação e resolve provocar vômito. Começa a repetir esse ato sempre que acha ter comido mais do que o necessário, assim, isso vira um vício. Com o tempo a pessoa não precisa mais provocar o vômito. Ela sente ânsia “naturalmente”: o reflexo é automático. Somente toma um pouco de água e aperta a barriga, não é mais necessário o dedo ou a escova de dente na garganta.

A bulimia é mais simples de ser tratada, pois, geralmente, a pessoa está mais consciente do mal que está provocando à sua saúde, seu corpo, a si mesma, e, quando os médicos explicam os resultados de tantos vômitos provocados, a pessoa começa a parar de se prejudicar e cuida mais de sua saúde.

Já a anorexia é um pouco mais séria. É difícil tratá-la, pois a pessoa não está consciente de seus atos, geralmente desde a primeira vez que evitou comer. Ela quer ser e estar perfeita como a mídia impõe. Às vezes a escola, o namorado, os amigos e até a própria família influenciam para o começo da doença.

A anorexia nervosa é a mais preocupante entre elas, pois a pessoa se acha sempre acima do peso, se olha no espelho e se vê gorda. Quer sempre perder mais e mais quilos, parando de comer tudo que é necessário para uma boa alimentação – vivendo à base de cenoura, chá verde… E a diferença no peso é vista rapidamente. A pessoa emagrece muito rápido, podendo perceber seus ossos. Algumas começam a usar roupas mais largas para que a família não note a diferença de peso.

Existe, também, a anorexia purgativa, durante a qual, além de parar de comer, a pessoa ainda provoca vômitos. Ou seja, uma mistura de anorexia com bulimia, o que traz mais danos à saúde. Além de emagrecer muito rápido e ficar sem uma alimentação balanceada, ela causa problemas no organismo por conta do ácido que existe no vomitar.

Algumas profissões estão no ranking desse perigo. Os grandes alvos dessas doenças são as modelos, as bailarinas. Uma pesquisa realizada na Argentina mostrou que a bulimia e a anorexia nervosa alcançavam 50% das profissionais que dançavam no Teatro Colón de Buenos Aires. Entre outros profissionais, estão os atletas, estudantes de medicina, psicologia e nutrição.

         O depoimento de Desireé Verona, estudante de psicologia, mostra o quanto uma jovem pode sofrer por conta de preconceitos: “Sofri de anorexia um ano, até comecei a perder meus cabelos… Pensei muito em suicídio e tentei a primeira vez, quando engordei 300 gramas. Foi muito triste… Mas toda anorexia tem raiz e essa raiz vem muitas vezes de uma sociedade que tem como padrão estético a magreza. Eu mesma tive início por uma rejeição no colégio. Complexo de inferioridade e motivo de gozação pra muitos… Comecei a fazer regime com médico, mas aí parei e comecei a obsessão.

“Meu maior recorde foram dois quilos em um dia… Eu era obcecada por academia e me alimentava com apenas alface e chá verde, peito de peru. A anorexia acabou se tornando nervosa. Foi quando descobri que podia comer e emagrecer sem me prejudicar. Comecei a tomar laxantes naturais (que são vendidos em farmácias), cheguei a tomar várias cápsulas em um dia. Depois eu descobri que poderia expelir através do vômito também, forçando meu estômago.”

         Porém, Desireé começou a engordar e teve bulimia por dois anos, começou a beber e entendeu que o álcool facilitava o vômito, começou a fazer tratamento psicológico e passou para o psiquiatra, mas ela não se abria.

“Até que um dia, uma semana antes de eu ir a um acampamento, tentei mais uma vez suicídio, com uma overdose de remédios. Tomei um remédio que poderia me levar ao coma; uma cartela de remédio tarja preta e um vidro de neosaldina… Até que nada aconteceu comigo, parece loucura, mas eu tinha um chamado pra cumprir e esses livramentos foram uma bênção porque no acampamento conheci um cara que mudou minha vida. O nome dele é Jesus Cristo. Me arrependi de tudo o que fiz e ele foi o único que pôde me ajudar. Ele me ergueu como um pai ergue um filho!

“Hoje aquela menina que era sozinha, que estava a ponto de reprovar, terminou seu primeiro ano de psicologia. Estou com minha vida restaurada e curada. Agora estou ajudando uma menina de quinze anos que sofre com mesmo problema…”

         Esse é um dos exemplos de inúmeras meninas que por alguma rejeição desenvolvem um dos distúrbios, Ana ou Mia, e conseguem sair. Mas e outras diversas garotas que entram nessa “moda” e não melhoram, morrem, se suicidam.

Anorexia e bulimia não são modas, não são um estilo de vida, são problemas, doenças, distúrbios emocionais, alimentares, psicológicos, psiquiátricos. A cada dia que se passa, sem ajuda, o caso clínico piora. O melhor é ter uma boa alimentação, isso sim é estilo de vida. 

Segunda-feira, 28 Abril dUTC 2008

Bossa repaginada

Arquivado em: Análise — Sérgio de Sá @ 11:38

Por Leila Lucas

 

Ontem, em uma roda de amigos, discutíamos se já havia uma versão no estilo funk para alguma música da bossa nova. Cinqüenta anos dela e cada vez mais nos surpreendem com novos arranjos e ritmos. Agora, até música eletrônica.

Citamos alguns dos novos intérpretes, Nara Takai, codinome usado por uma brincadeira feita pelos fãs de Fernanda Takai, vocalista da banda Pato Fu, depois do seu projeto solo, o CD Onde brilhem os olhos seus, em que canta o repertório de Nara Leão, conhecida cantora da bossa. Nara foi musa e ícone da bossa nova. Era muito tímida, mas nos palcos conseguia esquecer esse pequeno detalhe. Não tinha uma voz estrondosa que alcançasse um alto acorde, porém com seu timbre suave, tranqüilo, afetava os fãs em seu íntimo. Atrelou sua carreira a compositores desconhecidos, com origem diferentes da dela. Conseguiam uma sintonia inexplicável. Zé Ketti foi um deles. Para Nara, a música transpunha barreiras. Todos eram uma coisa só.

Na comemoração de mais um da bossa, Fernanda teve a idéia de cantar Nara. Com uma voz parecida, tudo propiciou esse esplendoroso trabalho. Não ficou só no banquinho e com um violão como os cantores da época. Acrescentou sons de guitarra, bateria, baixo e novos arranjos. Fernanda Takai afirmou: “Músicas que ouvíamos com nossos pais, agora mostrados com uma roupagem nossa”.

            Cris Dellano fez um disco também sobre Nara Leão, para lembrar os dez anos de morte da cantora. Aos 5 anos de idade, Cris já participava do coro infantil nas temporadas líricas do Teatro Municipal. Aos 17, acompanhava Roberto Menescal nos seus trabalhos. Foi para os Estados Unidos, onde participou como solista de um coral gospel. Chegou a participar da gravação de um CD do grupo. Quando voltou ao Brasil fez um lançamento independente do CD-book Mais que nunca é preciso cantar. Enquanto dava aulas e fazia shows foi convidada pela diretora Solange Kafuri para fazer o CD que homenageava Nara: Uma senhora Opinião. Agora com o filho de seu mentor, Márcio Menescal, ingressa no projeto de adequar bossa à música eletrônica. Bossacucanova é o nome do grupo carioca conhecido por acrescentar um toque atual à tradição do samba e da bossa. Além de Márcio e Dellano, integram o grupo Alexandre Moreira (tecladista), o DJ Marcelinho DaLua, DadoBrother (percussão), Rodrigo Sha (sax e flauta) e Flávio Mendes (guitarra).

Há dois lados sobre a bossa nova: quem gosta só das versões originais e os que adoram roupagens diferenciadas. Mas o que importa, considero, é que ela não morra, não seja esquecida. A bossa surgiu no final da década de 1950 e passou a pode ser compartilhada e conhecida internacionalmente. Tom Jobim foi representante da nossa música lá fora e teve parcerias memoráveis como a que fez com Frank Sinatra. Nada substitui o Acender as velas e Opinião na voz de Nara Leão ou O barquinho à Elis Regina. Ficaríamos citando o dia inteiro o que não daria para copiar, recriar, quem dirá repaginar. Mas como as novas gerações a conheceriam? Envolvendo-a com outros ritmos, poderemos aproximar a geração jovem à passada. Novos intérpretes sempre existirão. Contanto que o objetivo de não esquecê-la perdure, voltaremos sempre a lembrar de como eram aqueles tempos.

 

 

 

 

Uma olimpíada para novos jornalistas

Arquivado em: Crônica — Sérgio de Sá @ 11:02

Por Natalia Valle Lacerda

 

O início? Uma divulgação escondida, uma promoção pouco empolgante e o aparecimento de desafios, dificuldades, de inveja, de raiva e de cansaço. Mas que instigou muito a vontade de superar obstáculos, de provar para todos e para mim mesma que tenho muito mais capacidade do que a aparente.

O que me fez encarar o projeto? Vários fatores! A superação própria, o crescimento profissional, a convivência com “desconhecidos”, o aprofundamento de conhecimentos, a experiência individual e em conjunto, além da prova de capacidade, habilidade e eficiência.

Minha primeira impressão? Algo relacionado a um grupo de estudantes que estão em busca de um currículo melhor e de um crescimento pessoal que pode se concretiza com a cobertura dos jogos olímpicos e paraolímpicos em Pequim. Mas que encaram desafios dos mais diferentes possíveis a todo o momento.

A ascendência nele? Uma grande interrogação no começo, porém com uma única certeza, a vontade de participar e, mais, ir trabalhar em Pequim por pelo menos 20 dias. Muitas barreiras apareceram e ainda aparecem. E a vontade de superação e força para ultrapassá-las é ainda maior, o que não deixa a auto-estima cair, muito menos a curiosidade de sentir na pele o que é uma cobertura internacional.

Como é a experiência profissional sendo ainda a primeira? Não sei muito bem, afinal é tudo muito recente, aliás, como tudo na minha vida sempre foi. Muito intenso, com uma mistura de muita adrenalina, medo, ansiedade e vontade. O que me desperta mais, o que me faz correr atrás de praticamente tudo para efetivar a viagem.

Como imagino que tudo acontecerá? Também não está plenamente claro em minha mente, mas sei que não será uma experiência fácil, afinal a convivência com outros que nunca tive um contato maior, o stress, o trabalho dobrado ou triplicado, o cansaço, a vontade de voltar para casa, a saudade dos familiares e amigos, são apenas alguns exemplos que terei de superar e, pior, terei de puxar forças – de onde, não faço idéia – para completar o idealizado com sucesso e acima do esperado.

Como gostaria que acontecesse? Se fosse um sonho, poderia exigir um hotel de luxo, uma cama de casal bem confortável, um chuveiro quentinho e uma banheira de hidromassagem, um motorista 24 horas ao meu dispor, um tradutor ou talvez um intérprete, credenciais de sala vip, além de todos os outros comodismos possíveis.

Mas como sei que é só um sonho mesmo, é melhor encarar a realidade de frente com a cabeça erguida e tirar disso ótimos frutos e transformá-los em uma das minhas melhores experiências de vida.

Computador caseiro, alternativa ao desemprego

Arquivado em: Artigo — Sérgio de Sá @ 10:59

Por Luiz Henrique Quemel

Com a explosão do desemprego, atingindo todas as faixas salariais, o trabalho em casa ressurge como opção do trabalhador para minimizar os efeitos da crise. Um novo tipo de trabalho vem se difundindo, viabilizado pelo avanço das tecnologias de informação e telecomunicação. Pessoas instaladas em suas residências e dispondo de equipamentos de informática tornam suas atividades uma fonte de renda, realizando por conta própria a produção de bens e serviços diretamente para o consumidor.

É nesse contexto que o PC doméstico sai da posição de um simples videogame e torna-se o bem mais demandado e, em alguns casos, mais cobiçado na hora da compra do que o aparelho de televisão. Uma conseqüência imediata é a agregação do núcleo familiar pelo nascimento de microempresas.

Se não considerarmos somente o desemprego como o principal fator para a busca de fontes alternativas de renda e o pleno emprego como um bem em extinção, como explicar por que cada vez mais pessoas compram computadores para o desenvolvimento de atividades produtivas e complementação de renda?

Temos duas hipóteses que justificam o fenômeno. A primeira, mais lógica, é a queda nos preços dos equipamentos, ampliada pela concorrência entre as lojas especializadas de informática, os hipermercados e magazines. Com um dólar baixo e os incentivos fiscais dados pelo governo, é possível adquirir um computador por cerca de R$ 900. Um exemplo sintomático é a Dell, que só vendia computadores direto ao consumidor. Com a crise, passou a escoar a produção por intermédio de grandes varejistas como Wal-Mart e Extra, dentre outros  

A outra hipótese é a forte demanda por bens e serviços personalizados. O processo de globalização da economia ampliou nas pessoas o individualismo, tornando-as mais personalistas e sempre buscando produtos e serviços que sejam fabricados única e exclusivamente para elas e cujas especificações sejam voltadas para as necessidades próprias.

Numa economia globalizada em que, na maioria dos casos, há excesso de bens, a produção de algo exclusivo e especial sempre encontrará um consumidor mais exigente e com alto poder aquisitivo disposto a pagar mais pela sua grife pessoal.

Surgem, então, inúmeras oportunidades de trabalho para pessoas que possuam em casa um computador e idéias originais. Dentre as opções, temos o desenvolvimento de sistemas para condomínios, clubes e instituições religiosas; a composição de impressos (boletins informativos, jornais, autobiografias), a fabricação de brindes e a assistência técnica domiciliar.

Estudantes, donas de casa, aposentados e profissionais autônomos que queiram complementar renda ou então torná-la a principal fonte têm no computador doméstico uma alternativa viável. No entanto, não existe fórmula mágica para transformar o PC caseiro em máquina de fazer dinheiro. Isso dependerá do tipo de informação que se domina, recursos para investimentos, perfil dos futuros clientes e, principalmente, da localização geográfica a ser explorada. Encontre uma necessidade de mercado não atendida pelas grandes empresas e aí descobrirá um nicho a ser explorado.

Com a evolução da tecnologia presente em todos os setores da economia, tudo começa a ficar acessível a todos, permitindo expandir o poder de compra das pessoas. Entretanto, o único bem escasso será o personalizado. Quem conseguir, com seu PC doméstico, produzir serviços exclusivos e com custos mais acessíveis conquistará parcela significativa de consumidores.

Para embarcar no jornalismo cultural

Arquivado em: Resenha — Sérgio de Sá @ 10:39

Por Luiz Henrique Quemel

 

São quatro capítulos que fazem uma radiografia do jornalismo cultural num determinado momento no espaço brasileiro. Na introdução fica claro o pensamento do autor, quando diz que o jornalismo cultural já não é mais o mesmo. Perda de espaço e consistência são os argumentos usados para justificar o objeto do livro. Propõe o autor que o jornalismo cultural tenha tratamento diferenciado e combata algumas questões que o tornam passíveis de mito, dentre os mais fortes, o de ser fácil de ser produzido.

Na obra resgata-se a trajetória do jornalismo cultural no mundo, principalmente o europeu e de origem norte-americana. Não é um tratado sobre a história do jornalismo cultural, e mesmo não entrando em nível de detalhamento se comparado aos outros dois, há uma breve exposição do que pode ter sido o jornalismo cultural brasileiro.

Daniel Piza, autor de Jornalismo cultural (Editora Contexto, 143 páginas, R$ 25,90), é contundente em afirmar que o jornalismo cultural vive a sua maior crise de identidade a partir do momento em que define algumas dicotomias tomadas como mitos.

Segundo Piza, o elitismo e o populismo, a erudição e o popular, o nacional e o internacional são falsos dilemas que precisam ser enfrentados a fim de que o jornalismo cultural deixe de ser jornalismo de segunda classe.

No capítulo III são expostos como funcionam as questões das críticas nos bastidores do cinema, teatro ou em festivais de música. Neste caso específico, há o “efeito manada”, conceito criado pelo jornalista Luis Nassif, segundo o qual quem discorda da maioria é considerado arrogante. No capítulo, o autor define diversos tipos de resenhas. Impressionistas, estruturalistas, centradas no autor e de cunho sociológico são descritas por Piza. Conclui que, seja qual for o estilo definido, o gênero literário deve manter o critério jornalístico: sinceridade, objetividade, preocupação com o autor e o tema. Cita ainda colunas de opinião e declara que reportagem em jornalismo cultural deve seguir os mesmos rigores de quaisquer outras matérias jornalísticas.

Com autoridade de quem já publicou um livro sobre o assunto, afirma que perfil e entrevistas são reportagens interpretativas, mas exigem bastante espaço para publicação. Criatividade seria o quesito, já que em seu outro livro (Perfis & entrevistas), Daniel entrevista Oscar Wilde, trabalho de ficção histórica que o autor considera imaginativo.

O autor arrisca-se a tecer 10 dicas quando se escreve reportagens para o jornalismo cultural. A receita de bola contempla a dica “Dê um fecho ao texto” como se convidasse à subversão da pirâmide invertida, como se o melhor devesse ser deixado para o final.

Na obra há espaço para diferenciar entre o mau e o bom jabá (de jabaculê). É nesse aspecto que a obra contribuiu para encerrar o meu preconceito sobre receber um livro enviado pela editora (bom jabá) e a propina paga para se falar bem da obra (mau jabá). Outro aspecto da crítica é o envolvimento pessoal entre crítico e criticado e a complacência daquele em nunca considerar uma obra, qualquer que seja, péssima ou ruim. Em critérios ímpares, regular seria o máximo da crítica depreciativa.

Com um sugestivo nome de “Aqueles foram os dias”, Piza exibe no último capítulo as suas experiências na Folha de S. Paulo, Estadão e principalmente na Gazeta Mercantil. São relatos que mostram que a formação consistente do profissional conta pontos em sua inserção no jornalismo cultural.

A mais interessante foi a passagem pela Gazeta Mercantil quando o suplemento de final de semana passou de seis para 14 páginas em formato tablóide. Piza mostra em cinco passos o caminho das pedras de como se fazer, no seu entendimento o bom jornalismo cultural. “Carta branca” para ele seria o item mais importante dado aos jornalistas para o sucesso na área cultural. Em época de concorrência acirrada com outras mídias, principalmente a internet, seria esse o nirvana dos jornalistas, mas não é o que acontece em épocas de contenção de gastos.

Ao longo da obra, o autor mostra ser possível fazer um excelente trabalho jornalístico também no aspecto da cobertura cultural, não ficando restrito a suplementos. Tece outras esperanças a despeito do trabalho bem-sucedido nos veículos por onde passou, mas ao encerrar a obra, na bibliografia comentada, cria uma espécie de currículo mínimo para o aspirante que tenha a pretensão de embarcar nessa viagem.

Ao comentar bibliografias, acaba por impor uma série de critérios que são exigidos para o iniciante que se aventura no jornalismo cultural. De imediato, a bagagem é muito pesada, mas pode ser construída ao longo da carreira. Talvez seja por isso que o autor mesmo sendo referência nacional no assunto, não é unanimidade, sendo maior o time de seus detratores, pela arrogância com que trata os temas. Em recente entrevista à revista Imprensa, pode-se concluir isso.

De leitura fácil, a obra é aconselhada para quem deseja se lançar ao desafio de encarar o jornalismo cultural seja com seus jabás, relacionamentos, mas principalmente pelo prazer de ser um bom texto, bússola capaz de pelo menos separar o joio do trigo nos tempos atuais. Com a síndrome do overload information (sobrecarga de informações), ter alguém que aponte caminhos alternativos já pode ser considerado uma luz no final do túnel, principalmente o da  ignorância cultural.

As descobertas de Clarice Lispector

Arquivado em: Resenha — Sérgio de Sá @ 09:54

Por Maita Rocha

Aprendendo a viver é um livro que reúne diversas crônicas escritas por Clarice Lispector na década de 1970, as quais revelam mais seu íntimo, sua própria vida. Pedro Karp Vasquez foi quem organizou o livro e suas crônicas. A editora Rocco comemora os 40 anos de publicação de A paixão segundo G.H., que hoje é um clássico literário brasileiro.

Aprendendo a viver é realmente em primeira pessoa, a pessoa de Clarice Lispector. A escritora detalha momentos marcantes de sua vida. Com os mais variados temas, revela suas particularidades, seu cotidiano, especificando sua criatividade.

            Os textos foram publicados primeiro no Jornal do Brasil, entre os anos de 1967 e 1973. Clarice assinava crônicas semanalmente. E simplesmente viajava no contexto de seus textos, discutindo acontecimentos recentes (à época). Gostava de falar sobre a existência, filosofar, mostrava o cotidiano, e ainda colocava trechos de seus romances ainda inéditos.

            Inicialmente, todos esses textos foram publicados no livro A descoberta do mundo, em 1984. Tempos depois a editora Rocco selecionou as crônicas mais profundas de Clarice, as que mais falavam dela e dos acontecimentos de sua vida. Faz assim uma obra delicada, podendo ser tratada como autobiografia: “aprendendo a viver”.

“Ser intelectual é usar, sobretudo, a inteligência, o que eu não faço: uso é a intuição, o instinto”, diz a autora, já que não se considerava culta, pois não lia muito. Ao ler o livro vamos descobrindo coisas sobre Clarice. Descobrimos que, mesmo casada e com filhos, ela passa as noites de Natal com uma amiga “solitária”, em restaurantes lotados, para mostrar que ela não é a única sozinha no mundo.

A escritora tem o poder de transformar o banal e o normal num texto louco. Ao falar sobre uma simples poeira no ar, faz chegar ao ponto de refletir sobre a poeira, sobre a vida e seus acontecimentos, como amor, morte, verdade e mentira, infinito, reencarnação…

“Vi a Esfinge. Não a decifrei. Mas ela também não me decifrou. Encaramo-nos de igual para igual. Ela me aceitou, eu a aceitei. Cada uma com o seu mistério.” O mistério que cada pessoa tem em si, se analisarmos, cada um de nós é uma esfinge ou um turista curioso, mesmo olhando para o espelho, não sabemos nos desvendar.

“Comecei a mentir por precaução, e ninguém me avisou do perigo de ser tão precavida; porque depois nunca mais a mentira descolou de mim. E tanto menti que comecei a mentir até a minha própria mentira. E isso – já atordoada eu sentia – isso era dizer a verdade. Até que decaí tanto que a mentira eu a dizia crua, simples, curta: eu dizia a verdade bruta”, narra Clarice.

          Todos os seus textos nem precisam ser analisados a fundo. Falam, retratam uma verdade que está em cada um de nós, uma verdade que pode ser mentira, ou uma mentira que de tão mentirosa se torna nossa fantasia, fazendo assim com que esqueçamos da nossa realidade, vivendo em um mundo obscuro e irreal, que torna tudo claro e gostoso de viver, viver intensamente, cada minuto, cada palavra, cada significado, assim como Clarice Lispector (exceto a parte de comer a barata em A paixão segundo G.H., no mais é tudo muito bom).

Um clássico do jornalismo opinativo

Arquivado em: Resenha — Sérgio de Sá @ 09:18

Por Leila Lucas

 

                  O prefácio do livro Jornalismo opinativo foi escrito por Antonio F. Costella, que destaca a perenidade da obra de José Marques de Melo, considerando-o ícone das ciências da comunicação. Costella fala do respeito que existe por parte de seus colegas acadêmicos e de como Marque de Melo serve de referência àqueles que buscam conhecer os estudos sobre jornalismo em âmbito mundial.

                  Na apresentação, Marques de Melo escreve sobre a origem do jornalismo, os desafios dele e os bastidores da produção jornalística. Baseado na tese de doutorado defendida em 1983, na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, o livro é indicado para estudantes, professores e interessados que queiram inteirar-se do assunto.

                  A obra tem 238 páginas, divididas em cinco capítulos: “Teoria do jornalismo”, “Gêneros jornalísticos”, “A expressão opinativa”, “Gêneros opinativos” e “Jornalismo opinativo: bibliografia essencial”. No final dos primeiros quatro capítulos, ele deixa temas para pesquisa e debate. Em notas de pé de página estão os números correspondentes à bibliografia no final, destinada aos curiosos e dando mais uma possibilidade ao estudante de assimilar o conteúdo.

                  No primeiro capítulo, “Teoria do jornalismo”, o autor lembra dos primeiros pesquisadores sobre jornalismo, da demora do início desses estudos, referindo-se à expressão jornalística somente nos séculos XVII, XVIII e XIX. Expõe a confusão entre os conceitos de jornalismo e jornal. Desmembra ainda a noção de jornalismo polivalente, a perspectiva da propaganda e as relações públicas como meio de persuasão. Para Marques de melo, o jornalismo real se contrapõe a essas duas últimas modalidades – um apelo ao imaginário e o inconsciente. A ascensão da burguesia nos livra da censura prévia e tem como conseqüência o imposto do timbre.  Na seqüência aparece a imprensa norte-americana, que transforma a informação em mercadoria. O autor reconhece as duas categorias do jornalismo: o informar e o opinar, e explica o sentido do político nesses dois ambientes.

                  No segundo capítulo, ele detalha o estudo dos gêneros jornalísticos, classificando-os. Explicita quem fez os estudos. Nos modelos europeus: jornalismo francês – Falliet e Krayser, jornalismo alemão – Dovifat, jornalismo italiano – Domenico de Gregório, jornalismo espanhol – Martin Vivaldi e Martinez Albertos. No modelo norte-americano: Fraser Bond. Nas classificações hispano-americanas: Juan Gargurevich. No modelo latino-americano, o argentino Eugenio Castelli e o boliviano Rivadeneira Prada. Nos estudos sobre os gêneros radiofônicos, o venezuelano Julio Cabello. Em Cuba, gêneros no rádio e na TV: Benítez. No Brasil, destaca os pesquisadores Walter Sampaio, Zeta de Andrade de Lima, Luiz Amaral, Juarez Bahia e Luiz Beltrão, considerado o mais importante, pois os outros fizeram apenas considerações, não um estudo aprofundado.

                  No terceiro capítulo, “A expressão opinativa”, novamente reclassifica o jornalismo em informativo e opinativo. Afirma que os dois trabalham de forma ligada aos interesses do Estado. Nos afastamos da raiz norte-americana quando não aceitamos a possibilidade de sermos totalmente imparciais e confirmamos o equívoco de Marx de que a mensagem jornalística é necessariamente politizante. Menciona a lei que o ex-ministro da Comunicação Social Said Farhat propôs: a responsabilidade das matérias seria dada aos jornalistas. Depois, Marques de Melo responde como ficou essa história. Relata a importância das pautas, fontes e o que aconteceu depois da guerra hispano norte-americana. Elementos como a tipografia e as manchetes tornaram-se primordiais à conquista do mercado. Ele ressalta a importância dos títulos, sua editorialização, seus tipos e os recursos mais usados para fazê-los.

                  No quarto capítulo, classifica os gêneros opinativos no Brasil: editorial, comentário, artigo, resenha ou crítica, coluna, crônica, caricatura e carta. Explica a importância de cada um e os compara. No quinto e último capítulo, “Jornalismo opinativo: bibliografia essencial”, o autor conclui ser mais justo para com seu leitor modificar o que era apêndice nas edições anteriores, uma pequena bibliografia, para um capítulo do livro, um acervo maior, visto que nossas bibliotecas só têm um vasto material a partir da década de 1990. Ao mesmo tempo instiga quem o leu a confrontá-lo com outros autores e a debaterem sobre o que foi explicitado. Ele deixa um endereço de e-mail para uma comunicação direta com aqueles que tenham interesses em comum com os dele.

                  Livro qualificado para falar do assunto, o autor realmente é um especialista em jornalismo opinativo. Quem o lê acaba com vontade de conhecer cada um dos pesquisadores citados, senão ficamos com a sensação de estarmos perdidos. Para entendermos a obra por inteiro, temos de dar continuidade ao estudo lendo as muitas referências informadas.

Julio Iglesias emociona Brasília

Arquivado em: Crítica — Sérgio de Sá @ 08:40

Por Maita Rocha

 

O cantor Julio Iglesias, após 10 anos sem pisar em palcos brasileiros, voltou ao país para sua única turnê, com o tema “A voz universal”. Dentre muitas capitais, Brasília foi a quarta a ter a presença do astro.

         No dia 12 de março, Brasília se movimentou até o Centro de Convenções Ulisses Guimarães. Todo o salão escureceu cinco minutos antes da hora marcada e pontualmente às 21h o cantor subiu ao palco, entre aplausos e gritos dos que conseguiram chegar na hora. As luzes acesas do fundo do palco lembravam um céu estrelado, o que trouxe ao público um ar a mais de romantismo.

Quando o show começou, ainda havia cadeiras vazias. Um engarrafamento na entrada do estacionamento do Centro de Convenções atrapalhou as pessoas que tentavam chegar ao local.

Após cantar algumas músicas, antigas e de seu novo álbum, Iglesias se sentou e começou a conversar com as pessoas ali presentes, divertiu e encantou o público. Nesse momento o Centro de Convenções já estava lotado. Todos que conheciam um Julio Iglesias tímido se surpreenderam com a normalidade em que o astro ficou no palco.

O cantor tem em sua carreira um total de 77 álbuns e mais de 250 milhões de discos vendidos em todo o mundo, em 14 idiomas. Já recebeu 2,6 mil discos de ouro e platina e fez mais de cinco mil concertos pelo mundo. Mesmo com toda uma carreira consolidada, Iglesias passou uma década sem pisar em solos brasileiros.

Por ser um cantor que anima e emociona todo um público há décadas, não se imaginava um show tão lotado e tão esperado por diversas faixas etárias. O público que predominou no show era maior de 40 anos, muitos senhores e senhoras assistindo e relembrando suas juventudes. Havia jovens, que a princípio pareciam somente estar acompanhando os pais ou avós, mas no decorrer do show percebia-se que sabiam todas as letras e também cantavam com emoção.

Iglesias arrancou suspiros e aplausos, sem contar com risos quando conversava com o público. Entre suas canções, estavam Manuela, Natalie e La Carretera, com as quais o público de Brasília fez grande e bonito coral. O cantor ficou emocionado com o amor e a alegria do povo de Brasília: “Canta, Brasília”, dizia Iglesias.

Antes do show, muitos diziam que os espectadores de Brasília seriam “um público comportado”, mas não foi nada disso o que aconteceu. As pessoas interagiram muito bem com o cantor, cantaram, aplaudiram e até gritinhos de “lindo” surgiram no meio do show.

Ao conversar com os fãs, Iglesias foi se sentindo mais à vontade. Contou sobre a primeira vez que veio ao Brasil com seu pai, que andava com uma camiseta escrita “Sou pai de Julio Iglesias”. Assim, passeava por Copacabana, no Rio de Janeiro, rodeado por lindas mulheres. O cantor, restrito como sempre, teve um comportamento natural e divertido com o público de Brasília – mesmo que tenha se restringido a tirar foto somente com o vice-governador do Distrito Federal, Paulo Octávio, e a não aceitar nenhum convite de jantar, feitos por políticos do DF.

Muitas pessoas sentiram falta da música Devaneios, mas Iglesias encantou o público com todas as músicas e com as danças que aconteciam no palco. O dueto com uma de suas backing vocals, em All of you, foi lindo. Até beijar a outra vocalista ele fez, o que surpreendeu todo o público.

Ao contrário do que um jornal disse sobre o show em São Paulo, quando o público só teria “acordado” nas últimas músicas, Brasília mostrou que também sabe apreciar e se divertir com cantores internacionais. Já na primeira música, Julio Iglesias foi bem recebido. Na segunda ou terceira, colocou as pessoas de pé.

Muitos diziam que, além de incrível, o show deixou um gosto de quero mais. Quem sabe, ao ver toda a alegria desse povo da capital do país, Julio Iglesias não queira retornar ao Planalto Central?

Próxima Página »

Blog no WordPress.com.