OpinAtivo

Segunda-feira, 28 Abril dUTC 2008

Um clássico do jornalismo opinativo

Arquivado em: Resenha — Sérgio de Sá @ 09:18

Por Leila Lucas

 

                  O prefácio do livro Jornalismo opinativo foi escrito por Antonio F. Costella, que destaca a perenidade da obra de José Marques de Melo, considerando-o ícone das ciências da comunicação. Costella fala do respeito que existe por parte de seus colegas acadêmicos e de como Marque de Melo serve de referência àqueles que buscam conhecer os estudos sobre jornalismo em âmbito mundial.

                  Na apresentação, Marques de Melo escreve sobre a origem do jornalismo, os desafios dele e os bastidores da produção jornalística. Baseado na tese de doutorado defendida em 1983, na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, o livro é indicado para estudantes, professores e interessados que queiram inteirar-se do assunto.

                  A obra tem 238 páginas, divididas em cinco capítulos: “Teoria do jornalismo”, “Gêneros jornalísticos”, “A expressão opinativa”, “Gêneros opinativos” e “Jornalismo opinativo: bibliografia essencial”. No final dos primeiros quatro capítulos, ele deixa temas para pesquisa e debate. Em notas de pé de página estão os números correspondentes à bibliografia no final, destinada aos curiosos e dando mais uma possibilidade ao estudante de assimilar o conteúdo.

                  No primeiro capítulo, “Teoria do jornalismo”, o autor lembra dos primeiros pesquisadores sobre jornalismo, da demora do início desses estudos, referindo-se à expressão jornalística somente nos séculos XVII, XVIII e XIX. Expõe a confusão entre os conceitos de jornalismo e jornal. Desmembra ainda a noção de jornalismo polivalente, a perspectiva da propaganda e as relações públicas como meio de persuasão. Para Marques de melo, o jornalismo real se contrapõe a essas duas últimas modalidades – um apelo ao imaginário e o inconsciente. A ascensão da burguesia nos livra da censura prévia e tem como conseqüência o imposto do timbre.  Na seqüência aparece a imprensa norte-americana, que transforma a informação em mercadoria. O autor reconhece as duas categorias do jornalismo: o informar e o opinar, e explica o sentido do político nesses dois ambientes.

                  No segundo capítulo, ele detalha o estudo dos gêneros jornalísticos, classificando-os. Explicita quem fez os estudos. Nos modelos europeus: jornalismo francês – Falliet e Krayser, jornalismo alemão – Dovifat, jornalismo italiano – Domenico de Gregório, jornalismo espanhol – Martin Vivaldi e Martinez Albertos. No modelo norte-americano: Fraser Bond. Nas classificações hispano-americanas: Juan Gargurevich. No modelo latino-americano, o argentino Eugenio Castelli e o boliviano Rivadeneira Prada. Nos estudos sobre os gêneros radiofônicos, o venezuelano Julio Cabello. Em Cuba, gêneros no rádio e na TV: Benítez. No Brasil, destaca os pesquisadores Walter Sampaio, Zeta de Andrade de Lima, Luiz Amaral, Juarez Bahia e Luiz Beltrão, considerado o mais importante, pois os outros fizeram apenas considerações, não um estudo aprofundado.

                  No terceiro capítulo, “A expressão opinativa”, novamente reclassifica o jornalismo em informativo e opinativo. Afirma que os dois trabalham de forma ligada aos interesses do Estado. Nos afastamos da raiz norte-americana quando não aceitamos a possibilidade de sermos totalmente imparciais e confirmamos o equívoco de Marx de que a mensagem jornalística é necessariamente politizante. Menciona a lei que o ex-ministro da Comunicação Social Said Farhat propôs: a responsabilidade das matérias seria dada aos jornalistas. Depois, Marques de Melo responde como ficou essa história. Relata a importância das pautas, fontes e o que aconteceu depois da guerra hispano norte-americana. Elementos como a tipografia e as manchetes tornaram-se primordiais à conquista do mercado. Ele ressalta a importância dos títulos, sua editorialização, seus tipos e os recursos mais usados para fazê-los.

                  No quarto capítulo, classifica os gêneros opinativos no Brasil: editorial, comentário, artigo, resenha ou crítica, coluna, crônica, caricatura e carta. Explica a importância de cada um e os compara. No quinto e último capítulo, “Jornalismo opinativo: bibliografia essencial”, o autor conclui ser mais justo para com seu leitor modificar o que era apêndice nas edições anteriores, uma pequena bibliografia, para um capítulo do livro, um acervo maior, visto que nossas bibliotecas só têm um vasto material a partir da década de 1990. Ao mesmo tempo instiga quem o leu a confrontá-lo com outros autores e a debaterem sobre o que foi explicitado. Ele deixa um endereço de e-mail para uma comunicação direta com aqueles que tenham interesses em comum com os dele.

                  Livro qualificado para falar do assunto, o autor realmente é um especialista em jornalismo opinativo. Quem o lê acaba com vontade de conhecer cada um dos pesquisadores citados, senão ficamos com a sensação de estarmos perdidos. Para entendermos a obra por inteiro, temos de dar continuidade ao estudo lendo as muitas referências informadas.

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