OpinAtivo

Segunda-feira, 16 Junho dUTC 2008

A falência da língua portuguesa nos profissionais de TI

Arquivado em: Análise — Sérgio de Sá @ 09:57

Por Luiz Henrique Quemel

 

 

Como fasso para ser um profissional de sucesso? Poço participar do processo de estágio? As duas orações não fazem parte de auguma obra de ficção, mas de tópicos postados em foruns de informática por adolescentes aspirantes às carreiras de tecnologia da informação. A maioria tem aver com orientação vocassional, mas grande parte está relacionada com informação proficional.

Os especialistas na Última Flor do Lácio são unânimes: é preciso aperfeiçoar as habilidades de comunicação ainda no ensino médio. Esperar para descobrir isso num estágio ou prova pode depor contra a imagem do estudante, por mais competente que ele seja nas habilidades técnico-instrumentais.

Foi o que aconteceu com Eliezer (nome fictício), estagiário de tecnologia da informação (TI) acionado para resolver um problema no computador do departamento de comunicação de certa empresa. A questão era simples: recuperar o arquivo “situacao_2007.doc” que havia sido apagado. Quando renomeou o novo arquivo, ninguém mais conseguiu achar o documento no servidor. O aluno trocou a letra “s” por um “c”. Fora a vergonha, a situação do aprendiz não se alterou. Apesar do deslize, sua competência técnica como estagiário de informática não foi questionada. O estudante de computação, que pediu para não ser identificado, alegou pressa na digitação e que nem tinha lido direito a ficha de atendimento. Pressa é a desculpa mais comum nesse tipo de erro. Pela posição das letras no teclado, a justificativa não consegue convencer.  

Segundo a editora de opinião do jornal Correio Braziliense, Dad Squarisi, são duas questões distintas. Uma é a comunicação em ambientes virtuais, onde escrever “blz” e “naum” não compromete a imagem do profissional. “A nova forma de comunicação é permitida na internet, mas não pode extrapolar para o mundo real”, diz a professora.

A outra questão está relacionada a ortografia. Escrever “vocassional” ao invés de vocacional não é problema de pressa ao digitar, mas de desconhecimento da grafia. A professora aconselha muita leitura para superar essa deficiência. “Quando se tem o hábito de leitura, fica muito mais fácil saber a forma correta das palavras”, afirma a jornalista.

Doutor em lingüística, Cristovão Tezza afirma que a grafia incorreta é um mal menor diante dos outros problemas relacionados à língua portuguesa. “Escrever casa com ‘z’ pode ser resolvido com uma consulta ao dicionário ou por alteração da norma”, enfatiza o professor. A deficiência, segundo o autor, está mais relacionada à expressão subjetiva das palavras, isto é, à concatenação e à exposição lógica das idéias. “Penso, logo escrevo” seria a solução do problema lingüístico se Renê Descartes, o filósofo francês, pudesse opinar.

A capacidade de pensar antes do ato de escrever pode, inclusive, evitar que o corretor ortográfico do processador de texto imponha um erro pior do que aquele que se propõe a combater.

Seja qual for a postura adotada, os futuros profissionais não podem descuidar dos processos comunicacionais, até porque em muitas situações você não terá uma segunda chance de causar uma boa primeira impressão.

         Por falar em impressão, a que deve ter ficado é a má, se o leitor permanecer apenas no primeiro parágrafo do texto. Algumas palavras foram grafadas de forma incorreta, justamente para chamar a atenção e alertar para o constrangimento da situação. Se você não percebeu o problema, está na hora de ter como companhia o Aurélio.

Segunda-feira, 2 Junho dUTC 2008

Boa noite, boa sorte, mas já vi esse filme

Arquivado em: Crítica — Sérgio de Sá @ 10:32

Por Luiz Henrique Quemel

 

“[...] Se apenas um único jovem do Texas ou outro estado qualquer se sentir inspirado a cursar jornalismo e seguir os passos deixados por Edward Roscoe Murrow, o filme já terá valido a pena.” Com esse diálogo. o diretor do filme Boa noite e boa sorte, George Clooney, encerra a seqüência de comentários junto com roteirista Grant Heslov. Em forma de documentário preto e branco, o filme mostra o embate entre o jornalista Ed Murrow (interpretado pelo ator David Strathairn) e o senador Joseph McCarthy (interpretado por ele mesmo).

Nas décadas de 1940 e 50, o senador do estado do Wisconsin empreendeu uma caça aos comunistas. Boa noite, boa sorte, mas já vi esse filme poderia ser a versão brasileira do tema por retratar os mesmos fatos ocorridos após o golpe de 1964 no Brasil. Boa noite e boa sorte é uma obra que pode ser vista tanto em 1960 ou em 2008 que não perde a atualidade. Um senador da República que mesmo cometendo crimes, sejam eles de quaisquer naturezas, recebe uma advertência do Senado para deixar os holofotes. Qualquer semelhança da obra baseada em fatos reais não terá sido mera coincidência, caso fosse o set de filmagens determinado Congresso localizado abaixo da linha do Equador.

O filme mostra o cotidiano da CBS. A televisão ainda engatinhava como mídia de comunicação. Não há clichês e nem diálogos enfadonhos, mas ver o making of da edição em DVD torna a segunda sessão do filme muito mais interessante e divertida. Ambientado nos anos 50, o filme levanta muitas questões, não só políticas, e representa, sob a forma de diálogos,  aulas de jornalismo. Mostra ser possível praticar o jornalismo político, sem ser partidário.

Na pele do jornalista Ed Murrow, David Strathairn mostra que o engajamento não pode ser ingênuo, como bem mostra o comercial dos cigarros Kent: nem sempre o melhor filtro é o que leva o melhor fumo. Murrow nunca fumou Kent, colocava os cigarros Pall Mall no pacote do concorrente. Às vezes é preciso fazer concessões em forma de propagandas, publicidade (vale até entrevistar Ricos & Famosos, ao estilo Ricardo Patrese) e sapos a engolir para que a notícia apareça. O filme expõe de forma clara que a tese da neutralidade, como querem alguns teóricos, não passa de uma grande falácia. A CBS mostra claramente qual é o seu lado.

Ed. Murrow não precisou ser demitido de famosa rede de televisão para começar a praticar “jornalismo independente” e nem cunhou o termo pIG (Partido da Imprensa Golpista) para mostrar a seriedade do seu trabalho. Sempre foi respeitado e isso o manteve acima dos ataques (abaixo da linha da cintura) pessoais do senador McCarthy.

A obra mostra que fazer jornalismo sério e independente também depende do que fizemos antes de nascer. Para o macarthismo, jornalistas, independentes de seus credos religiosos, que foram pegos nas últimas encarnações lendo O capital, de Karl Marx, podem ser acusados de comunistas e sofrerem os mesmos processos arbitrários a que foram submetidos Murrow e sua equipe.

O filme encerra-se com o discurso de Edward R. Murrow questionando para que serve a tevê, a fim de não se tornar apenas uma caixa de fios e controles. Ao buscar em fatos reais há mais de 50 anos e ao se refletir o que se tornou a mídia em tempos de dossiês, senadores, segredos vazados, relações incestuosas com anunciantes e patrocinadores, não seria difícil realizar uma versão adaptada para a realidade brasileira, mas com sugestivo nome: Boa noite, boa sorte, mas já vi esse filme.

 

 

Histórias de Ana e Mia

Arquivado em: Artigo — Sérgio de Sá @ 09:16

Por Maita Torres Rocha

 

Anorexia e bulimia, mais conhecidas por Ana e Mia, doenças que estão sendo divulgadas cada dia mais pela mídia por meio de novelas, jornais, revistas. Antes de falar tanto sobre o assunto elas já estavam na vida de muitas pessoas, especialmente em meninas, moças e mulheres que tentam se espelhar em modelos e perfis mostrados na televisão e em revistas de beleza.

Essas doenças são sérias e devem ser tratadas com urgência. Muitas pessoas ainda tratam aqueles que têm esses distúrbios de “frescos”, humilham e ferem o sentimento. Qualquer pessoa que vier a ter Ana ou Mia deve procurar um especialista, contar com a ajuda da família e amigos, ao invés de imaginar que estão todos contra.

Na maioria dos casos de anorexia ou bulimia, a origem é psíquica, neurológica ou até psiquiátrica. Se cada pessoa que sofre desse problema tivesse a chance de escolher, escolheria a cura.

A mídia, infelizmente, ajuda muito na propagação dessas doenças. Entrevistas e reportagens contra ambas são poucas, já que inúmeras propagandas, filmes e novelas mostram pessoas magras, lindas e desejadas, quem está normal ou acima do peso é a rejeitada e isso está sendo refletido na sociedade.

As pessoas não entram nessa “onda” por que querem, mas por algum distúrbio, emocional, psicológico, neurológico, psiquiátrico, alimentar ou até social. Quando saem de perigo sempre fica algum vestígio emocional.

O distúrbio alimentar pode ser causado por diversos motivos, o mais comum é a ansiedade, o nervosismo. A bulimia ocorre quando a pessoa percebe que exagerou na alimentação e resolve provocar vômito. Começa a repetir esse ato sempre que acha ter comido mais do que o necessário, assim, isso vira um vício. Com o tempo a pessoa não precisa mais provocar o vômito. Ela sente ânsia “naturalmente”: o reflexo é automático. Somente toma um pouco de água e aperta a barriga, não é mais necessário o dedo ou a escova de dente na garganta.

A bulimia é mais simples de ser tratada, pois, geralmente, a pessoa está mais consciente do mal que está provocando à sua saúde, seu corpo, a si mesma, e, quando os médicos explicam os resultados de tantos vômitos provocados, a pessoa começa a parar de se prejudicar e cuida mais de sua saúde.

Já a anorexia é um pouco mais séria. É difícil tratá-la, pois a pessoa não está consciente de seus atos, geralmente desde a primeira vez que evitou comer. Ela quer ser e estar perfeita como a mídia impõe. Às vezes a escola, o namorado, os amigos e até a própria família influenciam para o começo da doença.

A anorexia nervosa é a mais preocupante entre elas, pois a pessoa se acha sempre acima do peso, se olha no espelho e se vê gorda. Quer sempre perder mais e mais quilos, parando de comer tudo que é necessário para uma boa alimentação – vivendo à base de cenoura, chá verde… E a diferença no peso é vista rapidamente. A pessoa emagrece muito rápido, podendo perceber seus ossos. Algumas começam a usar roupas mais largas para que a família não note a diferença de peso.

Existe, também, a anorexia purgativa, durante a qual, além de parar de comer, a pessoa ainda provoca vômitos. Ou seja, uma mistura de anorexia com bulimia, o que traz mais danos à saúde. Além de emagrecer muito rápido e ficar sem uma alimentação balanceada, ela causa problemas no organismo por conta do ácido que existe no vomitar.

Algumas profissões estão no ranking desse perigo. Os grandes alvos dessas doenças são as modelos, as bailarinas. Uma pesquisa realizada na Argentina mostrou que a bulimia e a anorexia nervosa alcançavam 50% das profissionais que dançavam no Teatro Colón de Buenos Aires. Entre outros profissionais, estão os atletas, estudantes de medicina, psicologia e nutrição.

         O depoimento de Desireé Verona, estudante de psicologia, mostra o quanto uma jovem pode sofrer por conta de preconceitos: “Sofri de anorexia um ano, até comecei a perder meus cabelos… Pensei muito em suicídio e tentei a primeira vez, quando engordei 300 gramas. Foi muito triste… Mas toda anorexia tem raiz e essa raiz vem muitas vezes de uma sociedade que tem como padrão estético a magreza. Eu mesma tive início por uma rejeição no colégio. Complexo de inferioridade e motivo de gozação pra muitos… Comecei a fazer regime com médico, mas aí parei e comecei a obsessão.

“Meu maior recorde foram dois quilos em um dia… Eu era obcecada por academia e me alimentava com apenas alface e chá verde, peito de peru. A anorexia acabou se tornando nervosa. Foi quando descobri que podia comer e emagrecer sem me prejudicar. Comecei a tomar laxantes naturais (que são vendidos em farmácias), cheguei a tomar várias cápsulas em um dia. Depois eu descobri que poderia expelir através do vômito também, forçando meu estômago.”

         Porém, Desireé começou a engordar e teve bulimia por dois anos, começou a beber e entendeu que o álcool facilitava o vômito, começou a fazer tratamento psicológico e passou para o psiquiatra, mas ela não se abria.

“Até que um dia, uma semana antes de eu ir a um acampamento, tentei mais uma vez suicídio, com uma overdose de remédios. Tomei um remédio que poderia me levar ao coma; uma cartela de remédio tarja preta e um vidro de neosaldina… Até que nada aconteceu comigo, parece loucura, mas eu tinha um chamado pra cumprir e esses livramentos foram uma bênção porque no acampamento conheci um cara que mudou minha vida. O nome dele é Jesus Cristo. Me arrependi de tudo o que fiz e ele foi o único que pôde me ajudar. Ele me ergueu como um pai ergue um filho!

“Hoje aquela menina que era sozinha, que estava a ponto de reprovar, terminou seu primeiro ano de psicologia. Estou com minha vida restaurada e curada. Agora estou ajudando uma menina de quinze anos que sofre com mesmo problema…”

         Esse é um dos exemplos de inúmeras meninas que por alguma rejeição desenvolvem um dos distúrbios, Ana ou Mia, e conseguem sair. Mas e outras diversas garotas que entram nessa “moda” e não melhoram, morrem, se suicidam.

Anorexia e bulimia não são modas, não são um estilo de vida, são problemas, doenças, distúrbios emocionais, alimentares, psicológicos, psiquiátricos. A cada dia que se passa, sem ajuda, o caso clínico piora. O melhor é ter uma boa alimentação, isso sim é estilo de vida. 

Blog no WordPress.com.