OpinAtivo

Segunda-feira, 2 Junho dUTC 2008

Histórias de Ana e Mia

Arquivado em: Artigo — Sérgio de Sá @ 09:16

Por Maita Torres Rocha

 

Anorexia e bulimia, mais conhecidas por Ana e Mia, doenças que estão sendo divulgadas cada dia mais pela mídia por meio de novelas, jornais, revistas. Antes de falar tanto sobre o assunto elas já estavam na vida de muitas pessoas, especialmente em meninas, moças e mulheres que tentam se espelhar em modelos e perfis mostrados na televisão e em revistas de beleza.

Essas doenças são sérias e devem ser tratadas com urgência. Muitas pessoas ainda tratam aqueles que têm esses distúrbios de “frescos”, humilham e ferem o sentimento. Qualquer pessoa que vier a ter Ana ou Mia deve procurar um especialista, contar com a ajuda da família e amigos, ao invés de imaginar que estão todos contra.

Na maioria dos casos de anorexia ou bulimia, a origem é psíquica, neurológica ou até psiquiátrica. Se cada pessoa que sofre desse problema tivesse a chance de escolher, escolheria a cura.

A mídia, infelizmente, ajuda muito na propagação dessas doenças. Entrevistas e reportagens contra ambas são poucas, já que inúmeras propagandas, filmes e novelas mostram pessoas magras, lindas e desejadas, quem está normal ou acima do peso é a rejeitada e isso está sendo refletido na sociedade.

As pessoas não entram nessa “onda” por que querem, mas por algum distúrbio, emocional, psicológico, neurológico, psiquiátrico, alimentar ou até social. Quando saem de perigo sempre fica algum vestígio emocional.

O distúrbio alimentar pode ser causado por diversos motivos, o mais comum é a ansiedade, o nervosismo. A bulimia ocorre quando a pessoa percebe que exagerou na alimentação e resolve provocar vômito. Começa a repetir esse ato sempre que acha ter comido mais do que o necessário, assim, isso vira um vício. Com o tempo a pessoa não precisa mais provocar o vômito. Ela sente ânsia “naturalmente”: o reflexo é automático. Somente toma um pouco de água e aperta a barriga, não é mais necessário o dedo ou a escova de dente na garganta.

A bulimia é mais simples de ser tratada, pois, geralmente, a pessoa está mais consciente do mal que está provocando à sua saúde, seu corpo, a si mesma, e, quando os médicos explicam os resultados de tantos vômitos provocados, a pessoa começa a parar de se prejudicar e cuida mais de sua saúde.

Já a anorexia é um pouco mais séria. É difícil tratá-la, pois a pessoa não está consciente de seus atos, geralmente desde a primeira vez que evitou comer. Ela quer ser e estar perfeita como a mídia impõe. Às vezes a escola, o namorado, os amigos e até a própria família influenciam para o começo da doença.

A anorexia nervosa é a mais preocupante entre elas, pois a pessoa se acha sempre acima do peso, se olha no espelho e se vê gorda. Quer sempre perder mais e mais quilos, parando de comer tudo que é necessário para uma boa alimentação – vivendo à base de cenoura, chá verde… E a diferença no peso é vista rapidamente. A pessoa emagrece muito rápido, podendo perceber seus ossos. Algumas começam a usar roupas mais largas para que a família não note a diferença de peso.

Existe, também, a anorexia purgativa, durante a qual, além de parar de comer, a pessoa ainda provoca vômitos. Ou seja, uma mistura de anorexia com bulimia, o que traz mais danos à saúde. Além de emagrecer muito rápido e ficar sem uma alimentação balanceada, ela causa problemas no organismo por conta do ácido que existe no vomitar.

Algumas profissões estão no ranking desse perigo. Os grandes alvos dessas doenças são as modelos, as bailarinas. Uma pesquisa realizada na Argentina mostrou que a bulimia e a anorexia nervosa alcançavam 50% das profissionais que dançavam no Teatro Colón de Buenos Aires. Entre outros profissionais, estão os atletas, estudantes de medicina, psicologia e nutrição.

         O depoimento de Desireé Verona, estudante de psicologia, mostra o quanto uma jovem pode sofrer por conta de preconceitos: “Sofri de anorexia um ano, até comecei a perder meus cabelos… Pensei muito em suicídio e tentei a primeira vez, quando engordei 300 gramas. Foi muito triste… Mas toda anorexia tem raiz e essa raiz vem muitas vezes de uma sociedade que tem como padrão estético a magreza. Eu mesma tive início por uma rejeição no colégio. Complexo de inferioridade e motivo de gozação pra muitos… Comecei a fazer regime com médico, mas aí parei e comecei a obsessão.

“Meu maior recorde foram dois quilos em um dia… Eu era obcecada por academia e me alimentava com apenas alface e chá verde, peito de peru. A anorexia acabou se tornando nervosa. Foi quando descobri que podia comer e emagrecer sem me prejudicar. Comecei a tomar laxantes naturais (que são vendidos em farmácias), cheguei a tomar várias cápsulas em um dia. Depois eu descobri que poderia expelir através do vômito também, forçando meu estômago.”

         Porém, Desireé começou a engordar e teve bulimia por dois anos, começou a beber e entendeu que o álcool facilitava o vômito, começou a fazer tratamento psicológico e passou para o psiquiatra, mas ela não se abria.

“Até que um dia, uma semana antes de eu ir a um acampamento, tentei mais uma vez suicídio, com uma overdose de remédios. Tomei um remédio que poderia me levar ao coma; uma cartela de remédio tarja preta e um vidro de neosaldina… Até que nada aconteceu comigo, parece loucura, mas eu tinha um chamado pra cumprir e esses livramentos foram uma bênção porque no acampamento conheci um cara que mudou minha vida. O nome dele é Jesus Cristo. Me arrependi de tudo o que fiz e ele foi o único que pôde me ajudar. Ele me ergueu como um pai ergue um filho!

“Hoje aquela menina que era sozinha, que estava a ponto de reprovar, terminou seu primeiro ano de psicologia. Estou com minha vida restaurada e curada. Agora estou ajudando uma menina de quinze anos que sofre com mesmo problema…”

         Esse é um dos exemplos de inúmeras meninas que por alguma rejeição desenvolvem um dos distúrbios, Ana ou Mia, e conseguem sair. Mas e outras diversas garotas que entram nessa “moda” e não melhoram, morrem, se suicidam.

Anorexia e bulimia não são modas, não são um estilo de vida, são problemas, doenças, distúrbios emocionais, alimentares, psicológicos, psiquiátricos. A cada dia que se passa, sem ajuda, o caso clínico piora. O melhor é ter uma boa alimentação, isso sim é estilo de vida. 

Segunda-feira, 28 Abril dUTC 2008

Computador caseiro, alternativa ao desemprego

Arquivado em: Artigo — Sérgio de Sá @ 10:59

Por Luiz Henrique Quemel

Com a explosão do desemprego, atingindo todas as faixas salariais, o trabalho em casa ressurge como opção do trabalhador para minimizar os efeitos da crise. Um novo tipo de trabalho vem se difundindo, viabilizado pelo avanço das tecnologias de informação e telecomunicação. Pessoas instaladas em suas residências e dispondo de equipamentos de informática tornam suas atividades uma fonte de renda, realizando por conta própria a produção de bens e serviços diretamente para o consumidor.

É nesse contexto que o PC doméstico sai da posição de um simples videogame e torna-se o bem mais demandado e, em alguns casos, mais cobiçado na hora da compra do que o aparelho de televisão. Uma conseqüência imediata é a agregação do núcleo familiar pelo nascimento de microempresas.

Se não considerarmos somente o desemprego como o principal fator para a busca de fontes alternativas de renda e o pleno emprego como um bem em extinção, como explicar por que cada vez mais pessoas compram computadores para o desenvolvimento de atividades produtivas e complementação de renda?

Temos duas hipóteses que justificam o fenômeno. A primeira, mais lógica, é a queda nos preços dos equipamentos, ampliada pela concorrência entre as lojas especializadas de informática, os hipermercados e magazines. Com um dólar baixo e os incentivos fiscais dados pelo governo, é possível adquirir um computador por cerca de R$ 900. Um exemplo sintomático é a Dell, que só vendia computadores direto ao consumidor. Com a crise, passou a escoar a produção por intermédio de grandes varejistas como Wal-Mart e Extra, dentre outros  

A outra hipótese é a forte demanda por bens e serviços personalizados. O processo de globalização da economia ampliou nas pessoas o individualismo, tornando-as mais personalistas e sempre buscando produtos e serviços que sejam fabricados única e exclusivamente para elas e cujas especificações sejam voltadas para as necessidades próprias.

Numa economia globalizada em que, na maioria dos casos, há excesso de bens, a produção de algo exclusivo e especial sempre encontrará um consumidor mais exigente e com alto poder aquisitivo disposto a pagar mais pela sua grife pessoal.

Surgem, então, inúmeras oportunidades de trabalho para pessoas que possuam em casa um computador e idéias originais. Dentre as opções, temos o desenvolvimento de sistemas para condomínios, clubes e instituições religiosas; a composição de impressos (boletins informativos, jornais, autobiografias), a fabricação de brindes e a assistência técnica domiciliar.

Estudantes, donas de casa, aposentados e profissionais autônomos que queiram complementar renda ou então torná-la a principal fonte têm no computador doméstico uma alternativa viável. No entanto, não existe fórmula mágica para transformar o PC caseiro em máquina de fazer dinheiro. Isso dependerá do tipo de informação que se domina, recursos para investimentos, perfil dos futuros clientes e, principalmente, da localização geográfica a ser explorada. Encontre uma necessidade de mercado não atendida pelas grandes empresas e aí descobrirá um nicho a ser explorado.

Com a evolução da tecnologia presente em todos os setores da economia, tudo começa a ficar acessível a todos, permitindo expandir o poder de compra das pessoas. Entretanto, o único bem escasso será o personalizado. Quem conseguir, com seu PC doméstico, produzir serviços exclusivos e com custos mais acessíveis conquistará parcela significativa de consumidores.

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