OpinAtivo

Segunda-feira, 28 Abril dUTC 2008

Uma olimpíada para novos jornalistas

Arquivado em: Crônica — Sérgio de Sá @ 11:02

Por Natalia Valle Lacerda

 

O início? Uma divulgação escondida, uma promoção pouco empolgante e o aparecimento de desafios, dificuldades, de inveja, de raiva e de cansaço. Mas que instigou muito a vontade de superar obstáculos, de provar para todos e para mim mesma que tenho muito mais capacidade do que a aparente.

O que me fez encarar o projeto? Vários fatores! A superação própria, o crescimento profissional, a convivência com “desconhecidos”, o aprofundamento de conhecimentos, a experiência individual e em conjunto, além da prova de capacidade, habilidade e eficiência.

Minha primeira impressão? Algo relacionado a um grupo de estudantes que estão em busca de um currículo melhor e de um crescimento pessoal que pode se concretiza com a cobertura dos jogos olímpicos e paraolímpicos em Pequim. Mas que encaram desafios dos mais diferentes possíveis a todo o momento.

A ascendência nele? Uma grande interrogação no começo, porém com uma única certeza, a vontade de participar e, mais, ir trabalhar em Pequim por pelo menos 20 dias. Muitas barreiras apareceram e ainda aparecem. E a vontade de superação e força para ultrapassá-las é ainda maior, o que não deixa a auto-estima cair, muito menos a curiosidade de sentir na pele o que é uma cobertura internacional.

Como é a experiência profissional sendo ainda a primeira? Não sei muito bem, afinal é tudo muito recente, aliás, como tudo na minha vida sempre foi. Muito intenso, com uma mistura de muita adrenalina, medo, ansiedade e vontade. O que me desperta mais, o que me faz correr atrás de praticamente tudo para efetivar a viagem.

Como imagino que tudo acontecerá? Também não está plenamente claro em minha mente, mas sei que não será uma experiência fácil, afinal a convivência com outros que nunca tive um contato maior, o stress, o trabalho dobrado ou triplicado, o cansaço, a vontade de voltar para casa, a saudade dos familiares e amigos, são apenas alguns exemplos que terei de superar e, pior, terei de puxar forças – de onde, não faço idéia – para completar o idealizado com sucesso e acima do esperado.

Como gostaria que acontecesse? Se fosse um sonho, poderia exigir um hotel de luxo, uma cama de casal bem confortável, um chuveiro quentinho e uma banheira de hidromassagem, um motorista 24 horas ao meu dispor, um tradutor ou talvez um intérprete, credenciais de sala vip, além de todos os outros comodismos possíveis.

Mas como sei que é só um sonho mesmo, é melhor encarar a realidade de frente com a cabeça erguida e tirar disso ótimos frutos e transformá-los em uma das minhas melhores experiências de vida.

Segunda-feira, 31 Março dUTC 2008

Afinal de contas, quanto cobrar?

Arquivado em: Crônica — Sérgio de Sá @ 11:05

Por Luiz Henrique Quemel

          Era outubro de 1994 quando consegui meu primeiro cliente. Tudo bem que a profissão de consultor doméstico de informática era tão nova que sempre aparecia umas crises de identidade, mas não saber cobrar a prestação do serviço foi a pedra no meu sapato. Foram meus próprios clientes que me ajudaram a superar esse complexo de inferioridade financeira que teimava em não desencarnar de mim.
          – Quanto que te devo?
          Essa foi a pergunta mais difícil que tive de responder para meu primeiro cliente. Como você sai de sua residência em pleno feriado de Nossa Senhora Aparecida e não sabe o quanto vai cobrar por uma consultoria? Só os profissionais sabem exatamente o valor do seu trabalho.
          – É Cr$ 41.250.
          – OK, mas não seria melhor convertermos em reais?
          – Sim, claro, desculpe. Fica então R$ 15.
          Recebi o valor, mas nervoso, porque levei mais de quatro horas para dar uma geral no computador, um PC AT Pentium 100 com 64 megabytes de RAM e disco rígido de 8GB. Entreguei a segunda via do relatório de avaliação técnica e fui comemorar dentro do meu Voyage 1986 num posto de gasolina:
          – Pode colocar Cr$ 13.750 de álcool?
          – São R$ 5, senhor.
          Ainda tinha Cr$ 27.500, ou melhor, R$ 10 quando comecei a calcular as despesas e o programa Excel em sua versão 5.0 começava a apresentar cada vez mais números vermelhos. Fiquei 240 minutos para receber apenas R$ 15 (finalmente, eu cai na real ou no real). Havia recebido apenas R$ 3,75 (três reais e setenta e cinco centavos) por hora de trabalho.
          O primeiro prejuízo, ninguém esquece. E deu vontade de ser o último, sem possibilidade de se ter uma segunda chance para se causar uma primeira boa impressão. Entrei em depressão, mas não revelei o desastre na auto-estima muito mais do que no bolso.
          Com a chegada dos 30 anos de vida, junto veio a compulsiva obsessão de saber, afinal de contas, quanto cobrar.
          Foram quase 10 anos comprando livros e estudando a questão, mas até consegui chegar ao estado da arte na ciência de como se cobrar serviços profissionais em informática, foram mais de mil horas de estudo. Para me aproximar do objeto, ainda tive que estudar economia de serviços, psicologia do cliente, comportamento do consumidor, empreendedorismo, métodos e metodologia de consultoria e inteligência de negócios. Na mesma proporção que os clientes aumentavam, maior ficava também minha insegurança em cobrar um preço justo, sem me sentir novamente com aquele complexo de inferioridade profissional. Não foi Kotler nem Drucker que me ajudaram a resolver o problema. Ele foi resolvido de forma inusitada: pelos meus clientes.
          Foi o doutor Alano Maranhão quem primeiro diagnosticou o problema:
          – Com esses preços que você pratica, acabará se prostituindo!
          Devia entender bem do assunto, pois era médico perito do Ministério do Trabalho. Outro doutor que não era médico, mas que ajudou a calcular meus honorários, foi Alexis Stepanenko, que dizia que eu era festejado pelos péssimos clientes e me surpreendeu ao aconselhar a demitir clientes. Os aproveitadores e péssimos pagadores, é claro. Os meus professores universitários tiveram uma outra forma de pagar meus honorários: parte em dinheiro e parte em atendimento VIP em minhas dificuldades acadêmicas. Foi assim até sair em 1998 do curso de Serviço Social na Universidade de Brasília (UnB).
          Ao olhar para o caminho deixado em minha jornada para obter a cobrança justa dos honorários, e pelo material construído com rigor científico, calculo que a cada dois anos em paralelo às minhas buscas sobre quanto cobrar acabei por fazer dois mestrados e um doutorado informal nas disciplinas citadas acima. Abandonei no meio do caminho meu objeto: passou de um simples questionamento de quantum cobrar para o “como” cobrar, este envolvendo questões de método e metodologia.
          Atualmente acredito que cheguei ao estado da arte de cobrar: recebo também na forma de permuta e, em troca de meus serviços, o valor correspondente em diárias para minha família em hotéis fazendas.
          Penso até na aventura de escrever um livro em forma de crônica, narrando meus fracassos em busca do santo graal dos honorários de serviços profissionais, pois o mercado editorial está lotado de livros de auto-ajuda sobre o sucesso. Fracassos são ideais para se introduzir novas metodologias. Evitaríamos assim que os novos profissionais que chegam ao mercado desviem em tempo hábil das armadilhas em que caí ao longo da jornada. Tenho até um título: “Afinal, quanto não cobrar por serviços profissionais em informática?”

Segunda-feira, 17 Março dUTC 2008

O santuário da nossa Amazônia

Arquivado em: Crônica — Sérgio de Sá @ 10:07

Por Maita Rocha 

         Quando penso no fato de a Amazônia estar sendo destruída cada dia mais, a primeira idéia que vem à minha mente é que sobra consciência, mas falta PESO na consciência e atitude de todos, não só de ONGs, mas sim de todo o Brasil, inclusive do governo brasileiro. Visto que a nossa Amazônia antes era verde e agora está ficando sem cor.

          Ao saber da frase do presidente da República, Lula, sobre a Amazônia – “NÃO SOMOS DAQUELES QUE DEFENDEM A AMAZÔNIA COMO SE FOSSE UM SANTUÁRIO DA HUMANIDADE” –, comecei a pensar bastante sobre ela. Mas a qual tipo de santuário nosso presidente se referiu?

          Ela pode ser considerada um santuário de aves, pois é comprovada a sua magnitude em relação à quantidade de belos pássaros vivendo naquela imensidão verde. Outras espécies estão sendo estudadas e descobertas.

          Pode ser um santuário de plantas, já que a floresta amazônica equivale a 33% das florestas tropicais do mundo. Tem uma diversidade de flora incrível: cada árvore, cada flor, cada folha representa um verde incrível e um colorido deslumbrante.

          A Amazônia representa 30% das espécies conhecidas do planeta. Um local, entretanto, em que se escondem diversidades de animais e uma flora que ainda não conhecemos. Atualmente, a área total morta pelo desmatamento da floresta corresponde a mais de 350 mil km², a um ritmo de 20 hectares por minuto, 30 mil por dia e 8 milhões por ano, e que acelera cada vez mais. A Amazônia deve ser considerada um santuário, sim, por conseguir sobreviver tanto tempo assim e sendo cada dia mais explorada.

          Mas se é um santuário, deve ser respeitada e “intocada”, mas isso seria, isso É IMPOSSÍVEL. Como ela é nossa, temos o direito de tocar e usufruir dela, mas o que é nosso a gente cuida e não destrói. Então, ela pode ser considerada um bem brasileiro, o qual deve ser cuidado, cultivado e apreciado por pessoas do mundo inteiro.

          Um santuário não pode ser explorado, derrubado, acabado e, dependendo da “crença”, nem ao menos tocado. Qual será o significado de Santuário da nossa Amazônia? Um santuário de fauna e flora, de águas e riquezas, um templo que transmite paz, alegria, esperança? É, pode ser considerada assim, intocável no sentido destruidor, mas explorada pelo olhar de grandes curiosos e apreciadores seres humanos.

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